Conectivos: Funções, Tipos e Lista para Usar na Redação

• Coordenação Editorial tsabi.ai

Conectivos são palavras ou expressões que ligam ideias dentro e entre parágrafos, organizando as relações lógicas do texto. Existem 8 funções principais: adição, contraste, causa, consequência, conclusão, explicação, condição e tempo. No ENEM, o uso correto dos conectivos influencia diretamente as Competências 1, 3 e 4 de correção.

Conectivos são o mecanismo que transforma um conjunto de frases em um texto argumentativo coerente. Sem eles, cada frase existe de forma isolada: o leitor lê as informações, mas não compreende a relação entre elas. Com o conectivo correto, a relação se torna explícita: contraste, causa, conclusão, adição ou condição ficam visíveis na superfície do texto.

O problema mais frequente nas redações avaliadas pelo ENEM não é a ausência total de conectivos, mas o uso mecânico dos mesmos três ou quatro termos (“além disso”, “portanto” e “contudo”) em contextos onde não são os mais precisos. Esse padrão indica ao corretor que o candidato conhece conectivos de memória, mas não domina suas funções.

Este artigo apresenta os conectivos organizados por função com exemplos em frases completas, a distinção entre uso formal e informal, os erros mais comuns e um guia de aplicação para redação dissertativa.

O que são conectivos e como funcionam na redação?

Conectivos são palavras ou expressões que estabelecem relações lógicas entre informações dentro de uma frase (intraparagrafais) ou entre parágrafos diferentes (interparagrafais). Eles pertencem a diferentes classes gramaticais, como conjunções, advérbios e locuções adverbiais, mas compartilham a mesma função: tornar explícita a relação entre duas ideias que, sem o conectivo, pareceriam justapostas por acaso.

A diferença entre conectivo intraparagrafo e interparagrafo é funcional, não gramatical. O conectivo “contudo” pode ligar duas frases dentro do mesmo parágrafo ou introduzir um novo parágrafo que contrasta com o anterior. O que define seu uso é a distância entre as ideias que ele conecta, não a palavra em si.

Na redação dissertativa, formato avaliado no ENEM e na maioria dos concursos públicos, os conectivos cumprem três papéis estruturais:

  • Progressão temática: conectivos de adição e explicação avançam o argumento dentro do parágrafo
  • Articulação entre parágrafos: conectivos de contraste, causa e consequência conectam o parágrafo atual ao anterior
  • Fechamento lógico: conectivos de conclusão sinalizam que o raciocínio chegou ao seu ponto final

O domínio dos conectivos é avaliado na Competência 1 (norma culta), na Competência 3 (coesão e coerência) e na Competência 4 (repertório de recursos coesivos) do ENEM. Um texto que usa apenas “e”, “mas” e “então” pontua baixo nessas competências, independentemente da qualidade dos argumentos.

Quais são os conectivos de adição e como usá-los?

Os conectivos de adição acrescentam uma informação nova à ideia anterior sem criar contraste ou hierarquia entre elas. São os mais usados em parágrafos de desenvolvimento, pois permitem apresentar múltiplos argumentos que se somam para sustentar a tese.

Conectivo Grau de formalidade Exemplo em frase
Além disso Alto: adequado para ENEM “A falta de saneamento básico compromete a saúde pública. Além disso, reduz a produtividade econômica das regiões afetadas.”
Ademais Alto: mais formal que “além disso” “A proposta prevê ampliação do acesso à internet. Ademais, inclui capacitação de professores para uso de ferramentas digitais.”
Também Médio: funcional mas menos sofisticado “O desemprego juvenil afeta a renda familiar e também compromete a autoestima e o projeto de vida dos jovens.”
Ainda Médio: indica que há mais a dizer “A violência urbana deteriora os espaços públicos. Ainda, afasta investimentos e encarece os seguros privados.”
Não apenas… mas também Alto: estrutura correlativa “A desinformação não apenas distorce fatos, mas também enfraquece a confiança nas instituições democráticas.”

O erro mais comum com conectivos de adição é usá-los para introduzir um argumento que contradiz o anterior. “A educação pública tem melhorado. Além disso, ainda faltam professores em regiões remotas” é incoerente, pois a segunda frase estabelece contraste, não adição. O conectivo correto seria “no entanto” ou “contudo”. Usar “além disso” em contexto de contraste indica para o corretor que o candidato não distingue as funções.

Quais são os conectivos de contraste e oposição?

Os conectivos de contraste introduzem uma ideia que se opõe, limita ou relativiza a afirmação anterior. São fundamentais em redações dissertativas porque a argumentação madura reconhece objeções e as supera. Esse movimento exige conectivos de oposição precisos.

Conectivo Função específica Exemplo em frase
No entanto Contraste direto entre dois fatos “A taxa de vacinação cresceu nos últimos anos. No entanto, a cobertura ainda é insuficiente em municípios de difícil acesso.”
Contudo Restrição a uma afirmação anterior “O crescimento econômico gerou empregos formais. Contudo, a concentração de renda permanece entre as mais altas do mundo.”
Todavia Contraste com tom mais formal e literário “A legislação ambiental brasileira é das mais avançadas do mundo. Todavia, a fiscalização efetiva ainda é deficitária.”
Embora Contraste dentro da mesma frase (concessão) “Embora o acesso à internet tenha se expandido, a qualidade da conexão em áreas rurais permanece inadequada para uso educacional.”
Apesar de Concessão antes do argumento principal “Apesar dos avanços legislativos, a violência contra mulheres ainda registra números alarmantes no Brasil.”
Porém Contraste menos formal, mais dinâmico “A tecnologia facilita o acesso à informação. Porém, sem educação midiática, esse acesso pode intensificar a desinformação.”

“No entanto” e “contudo” são intercambiáveis na maioria dos contextos, mas “contudo” carrega uma nuance de restrição parcial: o argumento anterior continua válido, mas com ressalva. “No entanto” indica contraste mais direto. Usar “embora” e “apesar de” dentro da frase, e não no início do parágrafo, é uma marca de escrita sofisticada que o corretor valoriza nas Competências 1 e 4.

Quais são os conectivos de causa, consequência e conclusão?

Os conectivos de causa, consequência e conclusão formam a espinha dorsal do raciocínio argumentativo. Eles tornam explícita a lógica por trás dos argumentos e são os conectivos mais cobrados em questões de interpretação textual e os mais avaliados na estrutura argumentativa do ENEM.

Função Conectivo Exemplo em frase
Causa porque “O abandono escolar aumentou porque as famílias vulneráveis precisam de renda imediata.”
visto que “A medida foi necessária, visto que os indicadores de desigualdade apresentaram piora consistente.”
uma vez que “A proposta é viável, uma vez que conta com financiamento federal já aprovado.”
Consequência por isso “A renda média caiu nos últimos anos. Por isso, o consumo interno recuou.”
consequentemente “O isolamento social prolongado afeta a saúde mental. Consequentemente, aumenta a demanda por serviços de psicologia.”
dessa forma “A coleta seletiva foi ampliada. Dessa forma, o volume de resíduos enviados ao aterro sanitário diminuiu.”
Conclusão portanto “Portanto, combater a desinformação exige ações simultâneas em educação, regulação e plataformas digitais.”
diante do exposto “Diante do exposto, a violência estrutural contra mulheres exige políticas integradas que ultrapassem a esfera penal.”
conclui-se que “Conclui-se que a ausência de saneamento básico é tanto causa quanto consequência da pobreza estrutural no Brasil.”

A confusão mais frequente é entre “por isso” (consequência) e “porque” (causa). A ordem das frases revela qual dos dois usar: se a frase com o problema vem primeiro e a frase com o resultado vem depois, use “por isso”. Se a explicação do porquê vem depois do problema, use “porque”. Inverter os dois compromete a lógica causal do argumento e é percebido como erro de coerência.

Quais são os outros conectivos por função na redação?

Além de adição, contraste, causa, consequência e conclusão, existem conectivos para explicação, condição, tempo, finalidade e exemplificação. Cada função tem contextos específicos de uso em redação dissertativa e argumentativa.

Função Conectivos principais Exemplo
Explicação ou seja, isto é, em outras palavras “A proposta viola a autonomia individual. Ou seja, impede que o cidadão decida sobre aspectos fundamentais da própria vida.”
Finalidade a fim de, para que, com o objetivo de “O programa foi criado a fim de reduzir a evasão escolar em municípios com baixo IDH.”
Condição se, caso, desde que, desde quando “A medida será eficaz desde que acompanhada de fiscalização independente e transparência nos dados.”
Tempo quando, enquanto, antes que, depois que “Enquanto a cobertura vacinal não atingir 90% da população, o risco de surtos permanece elevado.”
Exemplificação por exemplo, como, tal como “Países com políticas robustas de saúde pública, como Canadá e Noruega, apresentam menores taxas de mortalidade infantil.”
Proporção à medida que, na proporção em que “À medida que a renda aumenta, o acesso a serviços de saúde de qualidade se torna mais desigual entre classes.”

Os conectivos de finalidade (“a fim de”, “para que”, “com o objetivo de”) são especialmente importantes na conclusão do ENEM, pois integram o elemento de finalidade da proposta de intervenção. Usar “para que” com subjuntivo (“para que os estudantes possam”) é mais preciso gramaticalmente do que “para” com infinitivo impessoal em contextos em que o sujeito da finalidade é diferente do sujeito da ação principal.

Como usar conectivos sem tornar o texto artificial?

O uso artificial de conectivos é tão prejudicial quanto a ausência deles. O corretor identifica o problema quando o conectivo não reflete a relação real entre as ideias ou quando o mesmo conectivo aparece em todas as transições de parágrafo. Os dois sinais mais claros de uso mecânico são a repetição excessiva e o conectivo que não corresponde à função lógica da frase.

Três princípios orientam o uso natural dos conectivos:

  • Princípio da correspondência lógica: antes de usar o conectivo, identificar qual é a relação real entre as duas ideias: contraste, causa, adição ou conclusão. O conectivo deve nomear essa relação, não ser escolhido por hábito ou familiaridade.
  • Princípio da variação: usar conectivos de mesma função de forma alternada. Em um parágrafo de desenvolvimento, substituir “além disso” por “ademais”, “também” ou a estrutura “não apenas… mas também” evita a sensação de repetição mecânica.
  • Princípio da integração sintática: nem todo conectivo precisa iniciar uma frase. “Embora”, “apesar de”, “visto que” e “uma vez que” integram a relação dentro da própria frase, o que demonstra maior domínio dos recursos coesivos do que o uso de conectivo no início de um novo período.

Um parâmetro prático para verificar o uso dos conectivos antes de entregar a redação: substituir mentalmente cada conectivo por uma explicação da relação entre as frases. Se a explicação confirmar o conectivo escolhido, ele está correto. Se a explicação revelar uma relação diferente (causa onde foi colocado contraste, conclusão onde era adição), o conectivo precisa ser trocado.

Para candidatos que desejam diagnóstico individualizado sobre o uso de conectivos e coesão por parágrafo, a Tsabi.ai oferece correção com inteligência artificial baseada nas 5 competências do ENEM, com identificação de erros coesivos e sugestão de substituição.

Perguntas frequentes sobre conectivos e suas funções

O que são conectivos na gramática portuguesa?

Conectivos são palavras ou expressões que estabelecem relações lógicas entre ideias em um texto. Pertencem a diferentes classes gramaticais, como conjunções, advérbios e locuções adverbiais, e organizam as relações de adição, contraste, causa, consequência, conclusão, condição, tempo e finalidade.

Qual é a diferença entre conectivo intraparagrafo e interparagrafo?

Conectivos intraparagrafais ligam frases dentro do mesmo parágrafo. Conectivos interparagrafais ligam parágrafos diferentes entre si, criando coesão entre as unidades maiores do texto. A distinção é funcional: o mesmo conectivo pode operar nos dois níveis dependendo do contexto.

Quais conectivos usar no início de um parágrafo de desenvolvimento no ENEM?

Depende da relação com o parágrafo anterior. Para acrescentar argumento: “Além disso”, “Ademais”. Para contrastar: “No entanto”, “Contudo”. Para indicar causa: “Visto que”, “Uma vez que”. Para mostrar consequência do argumento anterior: “Dessa forma”, “Consequentemente”. Nunca iniciar dois parágrafos seguidos com o mesmo conectivo.

Qual a diferença entre “portanto” e “por isso”?

“Portanto” introduz conclusão lógica de uma cadeia argumentativa e é mais adequado para fechar parágrafos ou a conclusão do texto. “Por isso” indica consequência direta e imediata de uma causa específica apresentada na frase anterior. “Portanto” tem escopo maior; “por isso” é mais localizado.

Posso começar uma frase com “mas” ou “porque” na redação do ENEM?

Iniciar frase com “mas” é aceito em textos formais modernos, mas o ENEM valoriza maior sofisticação: prefira “no entanto”, “contudo” ou “porém”. Iniciar frase com “porque” isolado é considerado erro de coesão, pois “porque” é conjunção subordinativa que exige uma oração principal anterior. Use “pois” ou restructure a frase.

Como evitar repetir “além disso” em todos os parágrafos?

Identificar a função real de cada transição e escolher o conectivo correspondente. Se a segunda ideia é adição: variar entre “além disso”, “ademais”, “também”, “ainda” e “não apenas… mas também”. Se a relação for de causa, consequência ou contraste, substituir por conectivo da função correta, o que resolve a repetição e melhora a precisão lógica.

Conectivos de exemplificação devem aparecer com vírgula?

Sim. “Por exemplo”, “como”, “tal como” e “isto é” pedem vírgula antes e depois quando inseridos no meio da frase: “Países como, por exemplo, Finlândia e Suécia investem mais de 6% do PIB em educação.” No início da frase, “Por exemplo,” é seguido de vírgula obrigatória.

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