Como fazer uma boa redação?

• Coordenação Editorial tsabi.ai

Saber como fazer uma boa redação no ENEM exige domínio das 5 competências avaliadas pela banca, cada uma valendo até 200 pontos. Este guia apresenta a estrutura dissertativo argumentativa completa, os tipos de tese, as 4 etapas do planejamento textual, estratégias para construir repertório sociocultural e os elementos obrigatórios da proposta de intervenção, com exemplos de redações nota 1000.

redação do ENEM representa até 1.000 pontos na nota final e pode ser o fator decisivo para conquistar uma vaga pelo SiSU. Cada uma das 5 competências avaliadas pela banca possui critérios específicos que vão desde o domínio da norma culta até a elaboração de uma proposta de intervenção detalhada, com agente, ação, meio e efeito. Candidatos que ultrapassam 700 pontos na redação já obtêm vantagem competitiva significativa.

O formato exigido é o texto dissertativo-argumentativo, estruturado em introdução com contextualização e tese, dois ou três parágrafos de desenvolvimento com tópico frasal e evidências, e uma conclusão que sintetize os argumentos e apresente solução concreta para o problema abordado. Dominar essa estrutura, associada ao uso estratégico de conectivos e repertório sociocultural, diferencia redações medianas de textos nota 1000.

A seguir, cada etapa da construção de uma redação de alto desempenho é detalhada com critérios oficiais da Cartilha do Participante, exemplos reais de textos nota máxima e estratégias práticas de planejamento, argumentação e revisão.

O que é uma dissertação argumentativa

dissertação argumentativa é o gênero textual exigido pelo ENEM e pela maioria dos vestibulares e concursos públicos no Brasil. Diferente da narração ou da descrição, esse formato combina exposição de ideias com defesa de um ponto de vista, sustentado por evidências e raciocínio lógico, sendo avaliado em 5 competências que totalizam até 1.000 pontos.

O termo “dissertar” vem do latim e significa expor, discutir e analisar ideias sobre um determinado assunto. Já “argumentar”, derivado de argumentum, refere-se ao ato de convencer o interlocutor por meio de provas, dados e referências. Quando essas duas ações se combinam em um único texto, o resultado é uma produção que apresenta uma tese clara e a sustenta com estratégias argumentativas consistentes, como exemplificação, confronto de ideias, argumento de autoridade e dados estatísticos.

Na prática, o candidato precisa se posicionar diante de um tema proposto pela banca e construir uma linha de raciocínio que demonstre capacidade crítica. A linguagem utilizada deve ser objetiva e impessoal, evitando construções como “na minha opinião” ou “eu acredito que”. Bancas como CebraspeFCC e FGV também adotam o formato dissertativo-argumentativo, embora cada uma possua critérios específicos de avaliação. No ENEM, o diferencial é a exigência da proposta de intervenção na conclusão.

Dentro da taxonomia dos gêneros textuais, a dissertação argumentativa pertence ao grupo dos textos opinativos, ao lado do artigo de opinião e do editorial. O que a distingue é a formalidade exigida, a estrutura fixa em introdução, desenvolvimento e conclusão, e a necessidade de fundamentação com repertório sociocultural legitimado, ou seja, referências a filósofos, dados oficiais, obras literárias ou fatos históricos que comprovem a argumentação.

Compreender a natureza desse gênero é o primeiro passo para como fazer uma boa redação, pois todas as estratégias de planejamento, coesão e revisão dependem do domínio das regras específicas que a dissertação argumentativa impõe ao candidato.

Características essenciais do texto dissertativo-argumentativo

texto dissertativo-argumentativo possui características específicas que o diferenciam de outros gêneros. Dominar esses elementos é determinante para pontuar bem nas 5 competências do ENEM, especialmente na Competência II, que avalia a adequação à estrutura do gênero com peso de até 200 pontos.

A primeira característica é a estrutura tripartite obrigatória: introdução, desenvolvimento e conclusão. A introdução contextualiza o tema e apresenta a tese. O desenvolvimento, composto por dois ou três parágrafos, sustenta essa tese com argumentos e evidências. A conclusão retoma o posicionamento e, no caso do ENEM, inclui a proposta de intervenção. Textos que não respeitam essa organização perdem pontos na Competência II e na Competência III simultaneamente.

A segunda característica é a linguagem objetiva e impessoal. A defesa do ponto de vista deve evitar marcas de subjetividade como “eu penso”, “do meu ponto de vista” ou “na minha opinião”. A primeira pessoa do plural pode ser utilizada apenas em contextos que denotem coletividade, como “enfrentamos um problema social”. Argumentos baseados em experiências pessoais sem fundamentação teórica são penalizados pela banca.

A terceira característica é a exigência de coerência e coesão entre todas as partes do texto. As principais características incluem:

  • Coerência: as ideias não podem ser contraditórias nem desconexas, mantendo uma progressão lógica do início ao fim do texto
  • Coesão referencial: uso de sinônimos, pronomes e expressões retomadoras para evitar repetições e manter a fluidez
  • Coesão sequencial: emprego de conectivos adequados (conjunções, advérbios, preposições) para estabelecer relações de causa, consequência, contraste e adição entre os períodos e parágrafos
  • Circularidade textual: a conclusão deve fazer referência a elementos utilizados na introdução ou no desenvolvimento, fechando o raciocínio de forma coesa

Além dessas três características centrais, a Cartilha do Participante do ENEM reforça que o texto deve demonstrar repertório interdisciplinar, conectando o tema a áreas como Sociologia, História, Filosofia e Literatura. Candidatos que combinam estrutura adequada, impessoalidade e coesão consistente com referências culturais legitimadas alcançam as faixas mais altas de pontuação em todas as competências.

Estrutura de uma redação nota 1000: introdução, desenvolvimento e conclusão

estrutura de uma redação nota 1000 segue o modelo dissertativo-argumentativo dividido em três partes obrigatórias. No ENEM, textos com 4 a 5 parágrafos distribuídos entre introdução, desenvolvimento e conclusão atendem ao padrão avaliado nas Competências II e III, que juntas somam até 400 pontos na nota final.

introdução ocupa o primeiro parágrafo e tem duas funções específicas: contextualizar o tema e apresentar a tese. A contextualização demonstra à banca que o candidato compreendeu integralmente a proposta, enquanto a tese estabelece o posicionamento que será defendido ao longo do texto. Estratégias como alusão histórica, referência filosófica, citação literária ou dado jornalístico tornam a abertura mais atrativa e evidenciam repertório sociocultural. Construções genéricas como “desde os primórdios da humanidade” devem ser evitadas por não demonstrarem base cultural concreta.

desenvolvimento é composto por dois ou três parágrafos, cada um iniciado por um tópico frasal que apresenta a ideia central daquela seção. Após o tópico frasal, o candidato aprofunda o argumento com evidências concretas, como dados estatísticos, argumentos de autoridade, exemplos históricos ou referências culturais. A progressão entre os parágrafos de desenvolvimento deve ser lógica e articulada por conectivos adequados, garantindo que cada argumento complemente o anterior e fortaleça a tese.

conclusão retoma a tese e sintetiza os argumentos apresentados. No ENEM, esse parágrafo exige obrigatoriamente uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. A circularidade textual é valorizada pela banca: retomar na conclusão uma referência utilizada na introdução ou no desenvolvimento demonstra coesão e planejamento, critérios avaliados na Competência IV.

A distribuição ideal de linhas varia conforme a folha de redação, mas a proporção recomendada é aproximadamente 20% para introdução, 60% para desenvolvimento e 20% para conclusão. Candidatos que respeitam essa proporção evitam desequilíbrios estruturais, como desenvolvimentos superficiais ou conclusões apressadas, problemas frequentes que comprometem a pontuação nas competências II, III e V.

Como construir uma introdução com contextualização e tese

introdução da redação deve conter dois elementos obrigatórios: contextualização do tema e apresentação da tese. Candidatos que dominam essas duas funções no primeiro parágrafo garantem pontuação alta na Competência II, que avalia a compreensão da proposta e o uso de repertório interdisciplinar.

contextualização é a parte expositiva da introdução. Ela apresenta o tema ao leitor e demonstra à banca que o candidato compreendeu a proposta integralmente. Existem diversas estratégias para torná-la atrativa e demonstrar base cultural sólida:

  • Apresentação histórica: relacionar o tema a um período ou evento histórico relevante
  • Referência filosófica: citar pensadores como Hannah Arendt, Zygmunt Bauman ou Jürgen Habermas para fundamentar o raciocínio inicial
  • Alusão cultural: mencionar filmes, séries, músicas ou obras literárias que se conectem ao tema
  • Dado jornalístico: apresentar estatísticas, pesquisas ou fatos noticiados que evidenciem a relevância do problema
  • Citação literária: usar referências a obras e autores da literatura brasileira ou universal

tese é o posicionamento que será defendido ao longo do texto. Ela pode ser construída em dois formatos distintos. A tese analítica (ou organizadora) explicita quais argumentos serão abordados no desenvolvimento, funcionando como um roteiro para o leitor. A tese sintética (ou sugestiva) apenas deixa claro o posicionamento do autor sem antecipar os argumentos específicos. Ambos os formatos são aceitos pela banca do ENEM, e a escolha depende do estilo e da segurança do candidato.

Um erro frequente é confundir contextualização com tese. A contextualização expõe o cenário, enquanto a tese posiciona o candidato diante desse cenário. Outro problema recorrente é utilizar aberturas genéricas como “desde a Antiguidade” ou “ao longo da história da humanidade”, que não demonstram nenhuma referência cultural específica e são consideradas clichês pela banca. Introduções com repertório legitimado e tese bem delimitada criam a base para que todo o desenvolvimento flua com coerência e consistência argumentativa.

Desenvolvimento: tópico frasal, argumentação e evidências

desenvolvimento da redação é a seção responsável por sustentar a tese com argumentos sólidos e evidências concretas. Composto por dois ou três parágrafos, essa parte concentra cerca de 60% do texto e é avaliada diretamente nas Competências III e IV do ENEM, que somam até 400 pontos.

Cada parágrafo de desenvolvimento deve iniciar com um tópico frasal, que é o período responsável por apresentar a ideia central daquela seção. O tópico frasal funciona como uma “mini-tese” do parágrafo e orienta todo o raciocínio que será construído a seguir. Após essa apresentação, o candidato deve aprofundar o argumento utilizando estratégias argumentativas variadas:

  • Argumento de autoridade: citação de filósofos, sociólogos, pesquisadores ou especialistas reconhecidos
  • Dados e estatísticas: números de pesquisas oficiais (IBGE, OMS, UNICEF) que comprovem a dimensão do problema
  • Exemplificação: casos concretos, fatos históricos ou situações reais que ilustrem o argumento
  • Confronto de ideias: apresentação de perspectivas opostas para fortalecer o posicionamento defendido
  • Referência cultural: alusões a obras literárias, filmes ou produções artísticas que dialoguem com o tema

progressão lógica entre os parágrafos de desenvolvimento é um critério avaliado na Competência IV. Cada parágrafo deve complementar o anterior e preparar o seguinte, construindo um raciocínio contínuo. Um erro frequente é apresentar bons argumentos isolados, sem conexão entre si, o que fragmenta o texto e compromete a coesão. Conectivos como “além disso”, “nesse contexto” e “em consonância com” estabelecem essas pontes entre os parágrafos.

A profundidade argumentativa diferencia textos medianos de redações nota 1000. Candidatos que se limitam a afirmações genéricas, sem dados ou referências que as sustentem, ficam restritos às faixas intermediárias de pontuação. O desenvolvimento exemplar combina tópico frasal preciso, evidência concreta e análise crítica que demonstre ao avaliador capacidade de interpretação e organização das informações.

Conclusão e proposta de intervenção no ENEM

conclusão da redação do ENEM exige, além da síntese argumentativa, uma proposta de intervenção detalhada que respeite os direitos humanos. A Competência V avalia exclusivamente esse elemento e vale até 200 pontos, sendo o critério que mais reprova candidatos por falta de detalhamento.

O parágrafo conclusivo deve começar retomando a tese e sintetizando os argumentos apresentados no desenvolvimento. Essa retomada reforça a circularidade textual, critério valorizado pela banca. Fazer referência a um filósofo citado na introdução ou a um dado utilizado no desenvolvimento demonstra planejamento e coesão, qualidades que elevam a pontuação nas Competências III e IV simultaneamente.

proposta de intervenção precisa contemplar 4 elementos obrigatórios para alcançar a nota máxima na Competência V:

ElementoPergunta-guiaExemplo
AgenteQuem vai executar?Poder Legislativo, Ministério da Educação, escolas, ONGs
AçãoO que será feito?Criar legislação, implementar programa, promover campanha
MeioComo será feito?Por meio de leis, parcerias, investimentos, capacitação
EfeitoPara que será feito?A fim de reduzir desigualdade, garantir acesso, promover cidadania

O agente deve ser especificado: “o governo” é genérico demais, enquanto “o Poder Legislativo federal” é preciso. A ação precisa dialogar com os problemas levantados no desenvolvimento; propostas desconectadas da argumentação perdem pontos. O meio detalha como a ação será viabilizada, e o efeito projeta o resultado esperado. Propostas que violem direitos humanos resultam em nota zero na Competência V.

Candidatos que detalham todos os 4 elementos e mantêm coerência com a argumentação apresentada ao longo do texto atingem a faixa máxima de pontuação. A proposta de intervenção não é um acessório da conclusão, mas sim um componente estrutural da redação do ENEM com peso direto no resultado final.

As 5 competências do ENEM e como a banca avalia sua redação

banca do ENEM avalia a redação com base em 5 competências, cada uma pontuada de 0 a 200 pontos. Compreender os critérios específicos de cada competência é fundamental para direcionar o treino e identificar quais aspectos do texto exigem mais atenção, já que a nota final é a soma direta dessas cinco avaliações independentes.

CompetênciaO que avaliaPontuação
IDomínio da norma culta da língua portuguesa0 a 200
IICompreensão do tema e uso de repertório interdisciplinar0 a 200
IIISeleção, organização e interpretação de argumentos0 a 200
IVConhecimento dos mecanismos linguísticos de coesão0 a 200
VProposta de intervenção que respeite os direitos humanos0 a 200

Competência I avalia o domínio da modalidade escrita formal. Erros de ortografia, acentuação, concordância verbal e nominal, regência e pontuação reduzem a pontuação. Marcas de oralidade e coloquialismos também são penalizados. O candidato não precisa usar vocabulário rebuscado, mas deve respeitar as regras gramaticais da norma culta.

Competência II verifica três critérios simultâneos: compreensão da proposta temática, uso de referências interdisciplinares e respeito à estrutura dissertativo-argumentativa. Tangenciar o tema, não utilizar repertório sociocultural ou demonstrar pessoalidade são os erros mais frequentes. A Competência III avalia a qualidade da argumentação, penalizando senso comum, superficialidade e contradições internas.

Competência IV analisa a capacidade do candidato de conectar as partes do texto com conectivos adequados, evitando repetições e garantindo fluidez. A Competência V exige a proposta de intervenção com agente, ação, meio e efeito detalhados. Conhecer esses critérios permite que o candidato direcione seu treino para as competências em que apresenta maior dificuldade, otimizando o tempo de preparação.

Planejamento textual: 4 etapas antes de escrever

planejamento textual é a fase que antecede a escrita e determina a qualidade do texto final. Candidatos que investem tempo no planejamento produzem redações mais coerentes e fluidas, reduzindo travamentos durante a escrita e diminuindo a necessidade de correções extensas no rascunho. O processo se divide em 4 etapas sequenciais.

primeira etapa é a interpretação da frase-tema. Cada palavra da proposta cumpre uma função específica, já que a banca dedica meses para elaborar o enunciado. O candidato deve analisar todos os termos, identificar os sentidos implícitos e inter-relacionar os elementos para compreender o escopo completo do tema. Leitura atenta dos textos motivadores complementa essa análise e evita fugas temáticas, erro que pode zerar a redação.

segunda etapa é o brainstorm, ou tempestade de ideias. Nesse momento, o candidato registra em uma folha de rascunho todas as referências, dados, citações, exemplos e argumentos que surgirem sobre o tema. Essa listagem cumpre duas funções: impedir que boas ideias sejam esquecidas durante a escrita e permitir uma visualização ampla do repertório disponível para organização posterior.

terceira etapa consiste na seleção e organização das ideias. Como o repertório levantado no brainstorm costuma ser extenso, é necessário escolher os argumentos mais fortes e organizá-los por afinidade temática. Tentar incluir todas as referências torna o texto superficial. A seleção criteriosa garante profundidade e coerência, critérios avaliados na Competência III.

quarta etapa é a montagem do roteiro. Com os argumentos selecionados, o candidato define a contextualização e a tese da introdução, a ordem dos parágrafos de desenvolvimento e o direcionamento da conclusão com a proposta de intervenção. Quanto mais detalhado for o roteiro, mais fluida será a escrita. Candidatos que planejam antes de escrever costumam finalizar a redação com menos rasuras e maior consistência argumentativa.

Como aumentar seu repertório sociocultural para a redação

repertório sociocultural é avaliado diretamente na Competência II do ENEM e deve incluir referências interdisciplinares legitimadas que demonstrem domínio sobre o tema proposto. Candidatos com repertório diversificado conseguem contextualizar qualquer tema e construir argumentações mais sólidas.

Repertório legitimado significa utilizar referências reconhecidas academicamente ou culturalmente: filósofos, sociólogos, dados de institutos oficiais, obras literárias, eventos históricos documentados e produções artísticas relevantes. Referências vagas ou sem conexão com o argumento não agregam pontuação. A banca avalia não apenas a presença da referência, mas a qualidade da articulação entre ela e a tese defendida.

Para construir um repertório consistente, algumas práticas são eficazes:

  • Leitura de atualidades: acompanhar portais de notícia e relatórios de órgãos como IBGE, OMS e UNICEF fornece dados estatísticos atualizados
  • Estudo de filosofia aplicada: pensadores como Zygmunt Bauman (modernidade líquida), Hannah Arendt (condição humana), Michel Foucault (relações de poder) e Stuart Hall (identidade pós-moderna) são versáteis e aplicáveis a diversos temas
  • Leitura literária: obras como “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, “1984” de George Orwell e “O Cortiço” de Aluísio Azevedo cobrem temas recorrentes no ENEM
  • Banco de citações: anotar frases de pensadores com contexto de aplicação facilita o uso estratégico durante a prova
  • Conexões interdisciplinares: associar temas a áreas como Sociologia, História, Geografia e Ciências amplia as possibilidades argumentativas

Os eixos temáticos mais recorrentes no ENEM incluem educação, saúde, meio ambiente, tecnologia, direitos humanos e desigualdade social. Candidatos que preparam repertório específico para cada eixo conseguem adaptar suas referências rapidamente no dia da prova. A chave é não apenas memorizar citações, mas compreender o contexto e saber articulá-las com a argumentação, transformando conhecimento em pontuação efetiva.

Conectivos e coesão: como usar corretamente

Os conectivos são elementos linguísticos que estabelecem relações lógicas entre períodos e parágrafos, sendo avaliados na Competência IV do ENEM com peso de até 200 pontos. O uso correto e variado de conectivos transforma argumentos isolados em um raciocínio contínuo e articulado.

Cada tipo de conectivo cumpre uma função semântica específica no texto. Utilizar o conectivo errado altera o sentido do argumento e compromete a coerência. A tabela a seguir organiza os principais conectivos por categoria:

RelaçãoConectivosQuando usar
Adiçãoalém disso, ademais, também, outrossimAcrescentar informação ao argumento anterior
Contrasteno entanto, entretanto, por outro lado, todaviaApresentar ideia oposta ou ressalva
Causaporque, uma vez que, visto que, já queExplicar a razão de um fato ou argumento
Consequênciaportanto, logo, consequentemente, dessa formaIndicar resultado ou conclusão lógica
Exemplificaçãopor exemplo, como evidência, a título de ilustraçãoIntroduzir exemplo concreto
Conclusãoem suma, diante do exposto, fica evidente queSintetizar argumentação no parágrafo final

variedade no uso de conectivos é tão importante quanto a precisão. Repetir “além disso” em todos os parágrafos empobrece o texto e sinaliza repertório linguístico limitado. A banca espera que o candidato demonstre domínio de diferentes mecanismos de coesão, alternando conectivos de acordo com a relação lógica que deseja estabelecer em cada trecho.

Além dos conectivos interparágrafos, a coesão referencial dentro de cada parágrafo é igualmente avaliada. Substituir termos por sinônimos, usar pronomes demonstrativos e empregar expressões retomadoras como “tal cenário”, “essa conjuntura” e “o referido problema” evitam repetições e mantêm a fluidez. Candidatos que combinam coesão sequencial (conectivos) com coesão referencial (retomadas) constroem textos mais maduros e alcançam pontuação elevada na Competência IV.

Como revisar e finalizar sua redação

revisão da redação é a etapa final que separa textos bons de textos excelentes. Candidatos que reservam de 10 a 15 minutos para revisar antes de passar o texto a limpo conseguem corrigir erros gramaticais, ajustar a coesão e verificar a completude da proposta de intervenção, elementos que impactam diretamente em pelo menos 3 das 5 competências.

O processo de revisão deve seguir uma ordem estratégica. O primeiro passo é verificar a adequação ao tema: releia a proposta e confirme que sua tese e seus argumentos respondem ao que foi pedido. Tangenciar o tema é um dos erros mais graves e pode reduzir a nota na Competência II para as faixas mais baixas. Em seguida, verifique a estrutura: o texto deve conter introdução com contextualização e tese, desenvolvimento com tópicos frasais e evidências, e conclusão com proposta de intervenção completa.

O segundo passo é a revisão linguística. Leia cada período verificando concordância verbal e nominal, regência, ortografia, acentuação e pontuação. Ler o texto em voz baixa ajuda a identificar frases truncadas, repetições excessivas e trechos que não fluem naturalmente. Marcas de oralidade e coloquialismos são penalizados na Competência I e costumam passar despercebidos sem uma leitura atenta.

O terceiro passo é checar a coesão entre parágrafos. Verifique se cada parágrafo possui conectivo de transição, se a progressão é lógica e se não há contradições entre os argumentos. Confirme também a circularidade textual: a conclusão deve retomar elementos da introdução ou do desenvolvimento. Por fim, releia a proposta de intervenção e certifique-se de que os 4 elementos obrigatórios (agente, ação, meio e efeito) estão presentes e detalhados.

Uma revisão estruturada evita perdas de pontuação desnecessárias. Candidatos que treinam o hábito de revisar sistematicamente desenvolvem um olhar crítico sobre o próprio texto e reduzem a incidência de erros recorrentes a cada nova produção.

Exemplos de redação nota 1000 no ENEM

Analisar exemplos de redação nota 1000 é uma das estratégias mais eficazes para compreender na prática o que a banca espera. A Cartilha do Participante, publicada anualmente pelo INEP, disponibiliza textos que alcançaram pontuação máxima, permitindo que candidatos identifiquem padrões de estrutura, argumentação e repertório presentes nos melhores textos.

Na edição de 2019, cujo tema foi “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”, as redações nota 1000 apresentaram características em comum. Todas utilizaram repertório sociocultural legitimado com citações de filósofos como Jürgen Habermas, Hannah Arendt e Stuart Hall articuladas diretamente à argumentação. A estrutura seguiu rigorosamente o modelo dissertativo-argumentativo com tese clara, tópicos frasais definidos e proposta de intervenção detalhada com os 4 elementos obrigatórios.

Na edição de 2021, sobre “Invisibilidade e registro civil: garantia do acesso à cidadania no Brasil”, os textos nota máxima demonstraram domínio de referências interdisciplinares. Uma redação exemplar citou o romance “Vidas Secas” de Graciliano Ramos para ilustrar a ausência de identidade civil, conectando literatura à realidade social brasileira. A mesma redação utilizou dados do Mapa da Invisibilidade do IBGE, informando que quase 4 milhões de brasileiros não possuíam documentos básicos, fortalecendo a argumentação com evidência estatística concreta.

Ao analisar esses textos, observe os seguintes padrões recorrentes em redações nota 1000:

  • Contextualização na introdução com referência cultural específica, nunca genérica
  • Tese clara e posicionada no final do primeiro parágrafo
  • Tópicos frasais que abrem cada parágrafo de desenvolvimento com ideia delimitada
  • Conectivos variados que articulam a progressão entre parágrafos
  • Proposta de intervenção com agente especificado, ação concreta, meio viável e efeito projetado
  • Circularidade textual entre introdução e conclusão

A leitura sistemática de textos exemplares treina o olhar do candidato para reconhecer qualidade textual e incorporar essas características na própria escrita. Combine essa análise com a prática frequente de produção e correção para acelerar a evolução.Perguntas frequentes sobre como fazer uma boa redação

O título é obrigatório na redação do ENEM?

Não. O ENEM não exige título na redação. Caso o candidato opte por incluí-lo, ele não será avaliado pela banca, mas também não será penalizado. A recomendação é priorizar o tempo para o desenvolvimento do texto e a revisão.

Quantos parágrafos deve ter uma redação do ENEM?

A estrutura recomendada é de 4 a 5 parágrafos: um de introdução, dois ou três de desenvolvimento e um de conclusão com proposta de intervenção. Essa divisão garante espaço para argumentação consistente e atende às exigências das 5 competências.

Posso usar primeira pessoa na redação?

A primeira pessoa do singular deve ser evitada, pois caracteriza pessoalidade. A primeira pessoa do plural pode ser utilizada em contextos de coletividade, como “enfrentamos desafios”. A linguagem do texto dissertativo argumentativo deve ser objetiva e impessoal.

O que zera uma redação no ENEM?

A redação recebe nota zero em casos de fuga total ao tema, texto com até 7 linhas, cópia dos textos motivadores, desrespeito aos direitos humanos, redação em branco ou texto que não atenda ao formato dissertativo argumentativo exigido pela banca.

Qual a nota mínima de redação para entrar pelo SiSU?

Não existe nota mínima universal. Cada curso e universidade possuem notas de corte diferentes no SiSU. Candidatos com redação acima de 700 pontos já apresentam vantagem competitiva na maioria dos cursos, enquanto cursos mais concorridos exigem notas próximas a 900 ou 1000.

Como treinar redação de forma eficiente?

O treino eficiente combina produção frequente, correção detalhada com feedback por competência e análise de redações exemplares. Plataformas como a Tsabi oferecem correção automática por IA alinhada aos critérios oficiais do ENEM, permitindo que o candidato identifique erros recorrentes e acompanhe sua evolução a cada texto.

Posso fazer mais de uma proposta de intervenção?

Sim, o candidato pode apresentar mais de uma proposta. No entanto, a banca avalia o detalhamento e a qualidade, não a quantidade. É preferível uma proposta completa com agente, ação, meio e efeito do que duas propostas superficiais e sem detalhamento adequado.

Comece a treinar sua redação agora mesmo com a Tsabi.ai. A plataforma oferece correção automática por inteligência artificial alinhada aos critérios oficiais do ENEM e das principais bancas de concursos, com feedback detalhado por competência, banco de temas e acompanhamento da sua evolução a cada texto produzido.

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